Nota do editor: A carta a seguir foi escrita por Margaret, de 79 anos, avó de quatro netos que mora em Oregon. Ela a escreveu após concluir uma sessão de gravação com sua filha, como parte do programa Heirloom. Ela autorizou a divulgação porque, segundo ela, esperava que isso pudesse incentivar outros avós a escreverem suas próprias cartas. Os nomes foram alterados.
Meus queridos netos — aqueles que conheço e aqueles que talvez ainda não tenham nascido —
Estou escrevendo isso na primavera, na minha casa que sempre cheirou a café e livros e, em certas noites quando a janela está aberta, ao jardim onde passei as melhores horas da minha velhice. Tenho setenta e nove anos e estou bem, por enquanto, e quero que vocês tenham essas palavras antes que surja a circunstância que os faça desejar tê-las.
Quero que saibam que às vezes eu tive medo — na verdade, na maioria das vezes, nas coisas que importam. Medo de falhar, medo de ser demais e de não ser o suficiente ao mesmo tempo, medo da solidão que me surpreendeu na meia-idade, quando menos esperava. Também fui corajosa, de maneiras que me surpreenderam. Acho que essa é a verdade da maioria das vidas: somos mais corajosos do que imaginávamos ser capazes de ser, e mais assustados do que demonstramos.
Quero que saibam que as coisas com as quais mais me preocupava ou nunca aconteceram ou foram superáveis. E as coisas que realmente doeram — as perdas inesperadas, os relacionamentos que terminaram, os momentos em que o mundo revelou sua indiferença — eu sobrevivi a elas também, de maneiras que me transformaram, mas não me destruíram. Isso é o que mais quero que saibam: vocês são mais resistentes do que acreditam. A prova disso são todas as pessoas que vieram antes de você, que sobreviveram ao que parecia insuperável e ainda assim apareceram à mesa para jantar.
Ame as pessoas à sua frente. Diga isso a elas. As palavras não são tão difíceis de dizer quanto você pensa, e não dizê-las é um arrependimento que eu conheço bem.
Eu amo vocês. Todos vocês. Incluindo aqueles que ainda não conheci.
— Sua avó
Não espere até que seja tarde demais
Cada dia sem uma gravação é uma história que talvez nunca seja contada. Comece a preservar a voz da sua família hoje — basta um telefonema.
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